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Diretor João Vargas Penna fala sobre o seu FILME PAISAGEM numa entrevista para Takeda Design

Próximos de comemorar os 110 anos de nascimento do maior paisagista brasileiro, estréia no dia 15/11/2018 o documentário “Filme Paisagem - Um Olhar Sobre Roberto Burle Marx”.


O FILME

Segundo seu diretor, João Vargas Penna, Burle Marx foi um mestre na construção de espaços públicos, locais de convívio e harmonia com a natureza. O filme é um passeio pela arte e personalidade do paisagista. Apresenta suas ideias numa sucessão de paisagens – formas de apreensão do mundo a partir dos sentidos do espectador. Num mundo cada vez mais cheio de barreiras e conflitos, é da maior importância mostrar a obra desse artista e cidadão que criou espaços de deleite e aproximação entre os homens e o meio ambiente. Quis mostrar o homem a partir de seu mundo diverso e sensual, misturando imagens de diversos formatos num percurso por seu sítio, por suas obras e por paisagens naturais ou construídas que o motivaram.

A narração do documentário, baseada em falas e textos de Burle Marx, acompanha imagens das obras do paisagista. Os destaques ficam para o Sítio Burle Marx, o Parque do Flamengo e o Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, a fazenda Tacaruna e Vargem Grande, além da Praça Euclides da Cunha, em Recife, o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, e projetos na França, Estados Unidos e Venezuela.


O PAISAGISTA

Roberto Burle Marx (1909-1994) é um dos mais importantes arquitetos paisagistas do século XX.

Seus projetos destacam a beleza natural dos lugares e valorizam a flora nativa tropical.

Usando curvas e formas abstratas que raramente empregam simetria, seus parques e jardins modernistas lhe renderam prêmios, aclamação e fama internacional.

Foi precursor da ecologia e defesa do meio ambiente. Valorizava as plantas nativas e descobriu muitas espécies novas, em viagens de coleta e pesquisa por todos ecossistemas brasileiros, que fazem parte de uma enorme coleção de plantas vivas localizadas no sítio onde morou.

Jardins do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro

Jardins do Itamaraty

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O DIRETOR JOÃO VARGAS PENNA


1. O que o inspirou a fazer este filme? Por que Burle Marx?

Tenho grande interesse por artes plásticas, cidades e paisagens. Sou mais próximo dos artistas plásticos e arquitetos, que dos profissionais de cinema, vídeo, tv. Já realizei poucos documentários (sobre Amilcar de Castro, Lygia Clark e Marcos Chaves), mas filmei e fotografei muitas exposições, como uma forma de aprendizado, a lente me ajuda a entender, me relacionar com os trabalhos no espaço. Tenho projetos sobre a vida nas cidades, os fluxos das pessoas por elas, seus locais de convergência, etc.

O paisagismo é um ponto de convergência de todos esses interesses e Burle Marx é uma pedra fundamental do paisagismo no Brasil. Outro dia, vi que em 1983 já tinha a primeira edição do livro Arte Paisagem, das conferências de Burle Marx.

As áreas livres são, cada vez mais, uma necessidade primordial para as cidades. Burle Marx é o responsável por grande parte dos parques e jardins públicos nas grandes cidades Brasileiras tais como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba. São locais onde as pessoas podem se encontrar e encontrar com a natureza. Ele simboliza essa preocupação com os espaços públicos, com o entendimento da cidade como uma obra coletiva, para a coletividade.


2. A que você atribui a grande repercussão internacional do trabalho de Burle Marx?

A sua originalidade por ter aplicado os princípios da composição cubista no desenho dos jardins e ao profundo conhecimento de botânica, adquirido em expedições de pesquisa e coleta de plantas, na maior parte das vezes acompanhado de botânicos. Ele fez essas viagens ao longo de mais de 50 anos e descobriu mais de 35 espécies novas para a ciência. Muitas têm seu nome, outras têm o nome de amigos e amigas dele. As plantas que obteve fazem parte de sua coleção no Sítio Roberto Burle Marx, em Guaratiba, no Rio de Janeiro.


3. Que facetas curiosas do Burle Marx você descobriu e poderia adiantar para nosso público?

Ele era um colecionador obsessivo, se alguém falava que existia uma planta que era bela em algum lugar, ele ficava indócil até ir para lá, observar essa planta in loco, entender o ecossistema e levar alguma muda para o sítio.


Nosso consultor no roteiro foi José Tabacow, ex assistente, sócio e parceiro de Burle Marx em vários projetos, tais como a orla de Copacabana. Foi fácil perceber sua intimidade no trato com as plantas e facilidade com o desenho e pedimos para ele personificar seu mestre nessas atividades.

Tabacow conta que Burle Marx dava grandes almoços em seu sítio. Depois dos drinks iniciais, antes do almoço, ele saía com seus convidados em um tour pelos jardins e sombrais que abrigavam sua enorme coleção de plantas. Ao passar pelas alocácias, ele se escondia detrás das folhas enormes e dizia: – vejam meu tapa sexo!! A foto do cartaz foi tirada nesse momento.

Burle Marx descobriu as plantas brasileiras nas estufas do Jardim botânico de Dahlen-Berlim, onde filmamos plantas descobertas por ele, as burlemarxii.


4. Como você acha que ele se sentiria com toda a repercussão da defesa do meio ambiente e da valorização da natureza nas cidades que existe hoje e do qual ele foi precursor?

A preocupação de Burle Marx pela preservação ambiental fazia com que ele parecesse um radical na época, embora ele nunca tenha negado a necessidade de construção de indústrias e obras civis para a sobrevivência econômica. Em função de toda a devastação ambiental ocorrida desde sua morte em 1989 até os dias de hoje, ele seria visto como um moderado.

Ele se sentiria lisonjeado e um pouquinho aliviado, pois era um pessimista com o descaso das pessoas com o meio ambiente, especialmente por conta da devastação da Amazônia e da Mata Atlântica e do Cerrado durante a ditadura.

Mas ele se sentiria preocupadíssimo, pois essa valorização do meio ambiente não serviu para impedir a construção de Belo Monte e outros descasos no governo de Dilma Roussef, nem que os ruralistas tenham reduzido as áreas de preservação de matas ciliares e nascentes, e outras ações que levaram a graves problemas de fornecimento de águas em São Paulo, etc.

Atualmente ele estaria sem dormir com a fusão do Min da Agricultura com o Meio Ambiente.


5. Uma palavra sua sobre o filme para os arquitetos, paisagistas e empreendedores?

Quis fazer o filme como um passeio pelos jardins, parques e paisagens feitos por Burle Marx, ou que serviram de referência e inspiração para o paisagista. Esse passeio também mostra sua atuação na defesa do meio ambiente e dos espaços públicos, preocupações que devem nortear arquitetos, paisagistas, urbanistas e empreendedores.



Mural da nossa sala de reuniões em homenagem a Burle Marx. Criado por um dos artistas de nossa equipe - Gio Sanior.

Somos tão fãs do trabalho de Burle Marx que em nossa sala de reuniões criamos um mural em homenagem a ele. Compartilhamos da mesma paixão de Burle Marx pela natureza para melhorar e conservar as paisagens e a vida das pessoas que vivem nelas.


O DIRETOR

João Vargas Penna [Belo Horizonte, 1955] foi professor de Cinema e TV, coordenador de conteúdo, diretor de fotografia e dirigiu curtas metragens de ficção, documentários e séries de TV exibidas e premiadas em diversos festivais no mundo. Atualmente João Vargas trabalha como artista visual e realizador de documentários sobre arte, paisagismo e meio ambiente.


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