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4. Design Biofílico e Sustentabilidade

Tendências que farão a diferença no Mercado Imobiliário em 2019


Considerando as tendências de crescimento do mercado imobiliário, de novas formas de viver e morar nas cidades contemporâneas e a importância da experiência e do bem estar dos usuários, esta série de textos agora nos leva a entender como essas tendências encontram operacionalidade em projeto através do Design Biofílico e da Sustentabilidade.

Na atual conjuntura de crise climática, pesquisadores apontam que a vida na terra vem entrando em declínio após a revolução industrial e os processos de urbanização. Richard Louv levanta a hipótese de que os citadinos estejam vivendo uma espécie de “desordem de déficit de natureza”, como uma forma de viver alienada ao mundo natural, que poderia ser causa de muitas outras desordens, como obesidade e depressão, principalmente em crianças.

Com esta conjuntura imposta, muitas pessoas vêm mudando seus hábitos cotidianos em direção a uma vida mais saudável, consumindo produtos de origem orgânica e que respeitem a vida em todas as suas instâncias. Este movimento tem pressionado a indústria a encontrar soluções que promovam menor impacto ao meio ambiente, também como forma de atender as demandas da população. O Mercado Imobiliário também vem absorvendo essa tendência de promover a vida e a regeneração do meio ambiente, da sociedade e da economia através de seus novos empreendimentos.



Design biofílico

O termo biofilia (biophilia: bio – natureza, philia – amor) foi popularizado em 1984 por Edward Osborne Wilson (biólogo) em livro homônimo, onde o autor discorre sobre as inter-relações entre o homem e natureza, explorando a hipótese de que existe uma tendência de conexão inconsciente entre ambos. Wilson (1984) define biofilia como um desejo oculto de “nos afiliarmos a outras formas vivas”.

Para além das questões biológicas que envolvem o termo, o Design Biofílico seria a resposta da comunidade arquitetônica para intervir nos espaços, utilizando-se da biofilia como uma ferramenta prática para alinhar o ambiente construído ao meio ambiente natural.

Este conceito, porém, vai muito além da mera adição de vegetação em locais desprovidos de vida. O design biofílico incorporado a projetos oportuniza uma melhora substancial na qualidade de vida das populações, que subsequentemente é traduzido em melhorias sócio econômicas para toda cidade.

Assim, na abordagem do design biofílico, o comprometimento da arquitetura com a sustentabilidade é reinterpretado para além dos selos de certificação Green, abrangendo questões como: proporcionar relações interpessoais entre vizinhos, urban farming (agricultura urbana), consumo de produtos e materiais locais, eficiência energética, conforto térmico, iluminação natural, proximidade e acessibilidade aos equipamentos públicos, promoção de saúde ambiental e comunitária, constante contato com o meio ambiente natural, dentre muitos outros. Ou seja, o design biofílico utiliza de inúmeras estratégias de projeto que venham a elevar a qualidade de vida da população como um todo, estreitando os laços da vida urbana com o meio ambiente que nos circunda.

Nesse sentido, o Design Biofílico surge como resposta à crise ambiental que se desenha nos últimos anos, para que possamos nos reconectar à natureza. O ponto de partida seria projetar espaços através da experiência, ou seja, pensar a arquitetura através de suas dimensões multissensoriais, para que possamos desfrutar dos lugares de forma harmoniosa e eficiente. Assim, se faz necessário pensar nos aspectos que trazem conforto e sentimento de bem estar aos usuários 24 horas por dia nos 7 dias da semana.

Seguindo as tendências de diminuição dos espaços privados das residências e de espaços de trabalho coworking onde muitas pessoas trabalham no mesmo local, os espaços comuns desempenham papel fundamental na promoção do bem estar da população.

Deste modo, o projeto de paisagismo tem em seu escopo de projeto uma oportunidade ímpar para conciliar através do design biofílico, benefícios para o corpo e para a mente dos usuários. Projetos de paisagismo têm em sua natureza, a questão de trabalhar com espaços abertos, de abundante ventilação, usualmente com vegetação e elementos naturais, como água, pedras e madeira.

Existem inúmeras pesquisas em curso que relacionam como as pessoas se relacionam com o espaço, principalmente através do campo de estudos da psicologia. Para algumas vertentes da psicologia, o conceito de sujeito engloba não somente o corpo das pessoas, mas o ambiente em que elas vivem, argumentando que não existem fronteiras entre corpo e espaço. Logo, há indícios de que pessoas tendem a ser mais produtivas em espaços que consideram mais agradáveis, bem ventilados e com iluminação natural.

Algumas pesquisas no campo da Saúde tem relacionado a qualidade dos espaços dos hospitais à melhora dos pacientes, reduzindo níveis de estresse, por exemplo. Hospitais mundo a fora tem apostado na melhoria dos espaços com a introdução de vegetação, fontes de água corrente, hortas comunitárias, passeios ao ar livre, etc.

Como já discorremos, uma das premissas do design biofílico é extrapolar os limites entre ambiente natural e ambiente construído, então nos surge uma questão: Como os arquitetos aplicam o design biofílico em seus projetos?



Arquitetura biofílica

O arquiteto Bjarke Ingels vem trabalhando com design biofílico em seu projeto ICE em Umea (Suíça). A estratégia adotada foi a de utilizar os elementos naturais do local onde o projeto será construído para adequar a edificação como parte do todo. Logo, o terraço do edifício se conforma como uma extensão do parque Umedalen Sculpture Park. Veja a imagem a baixo:


A fachada em vidro permite que a pista de hockey absorva a luz do sol nos dias de inverno e aqueça o ambiente, enquanto que no verão, ao ser recolhida, permite que a ventilação aconteça naturalmente, além de muitos outros fatores trabalhados por BIG.

Outro exemplo de design biofílico aplicado à arquitetura é o hospital Khoo Teck Puat (KTPH) em Singapura. O hospital primeiramente lançou um concurso de arquitetura com cinco princípios: ver: verde e água; cheirar: plantas perfumadas; ter som de água corrente; ter diversidade de plantas, pássaros e borboletas e ter espaços públicos entre as áreas verdes e azuis. O projeto escolhido foi elaborado pelo grupo CPG Consultants, onde cada detalhe foi pensado para curar doenças e tornar o dia-a-dia do hospital mais agradável tanto para os pacientes e acompanhantes quanto para os trabalhadores.


O terraço do hospital serve como espaço para plantio de temperos, frutas e hortaliças para utilização nos refeitórios do próprio hospital. Essa horta urbana funciona através de trabalho voluntário (principalmente aposentados) da comunidade que reside na vizinhança do hospital. Veja a imagem abaixo:


Para nós, arquitetos paisagistas, não há dúvidas de que o espaço influencia diretamente no comportamento das pessoas. Assim, inspirados pelas premissas do design biofílico, acreditamos em estratégias de projetos que estejam diretamente alinhadas as demandas da população para o sucesso de empreendimentos.

Para mais informações e possibilidades de aplicação dos conceitos de design biofílico em seu projeto, não fique na dúvida, contate-nos.



Referências

A New Remedy: Introducing Biophilic Design into Hospitals - http://hconews.com/2018/01/31/a-new-remedy-introducing-biophilic-design-into-hospitals/

B.I.G.- https://big.dk/#projects

BIG Goes Biophilic with New Sports Center - https://dirt.asla.org/2011/03/22/big-goes-biophilic-with-new-sports-center/

Biophilic Design: A growing trend - https://www.tomraffield.com/blogs/blog/biophilic-design-a-growing-trend

Biophilic Design: A new scales emerges - https://trimtab.living-future.org/trim-tab/issue-36/biophilic-design-a-new-scale-emerges/

CPG Consultants - https://www.cpgcorp.com.sg/cpgc/Project/Project_Details?ProjectID=1068

Impact by Design - Resilience Strategies Shaping the future of Cities - https://drive.google.com/file/d/1eqT2gqXfGnX5yJQVIp4AJfXXsQR5InK-/view

Khoo Teck Puat Hospital - https://blog.interface.com/khoo-teck-puat-hospital-singapore-biophilic-design/

The new sustentability generation - https://drive.google.com/file/d/1Ur1jKrd-Y3aWmhrgcgF2kUollT6s4v-U/view




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